
A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) discutiram, em reunião realizada em 18 de agosto, uma atuação conjunta contra suplementos alimentares adulterados comercializados em plataformas digitais. O encontro não significa que todo suplemento vendido pela internet seja irregular, mas reforça a necessidade de verificar produto, fabricante e vendedor antes da compra.
O que foi confirmado
Segundo comunicado do Ministério da Justiça e Segurança Pública, a Anvisa compartilhou informações sobre produtos adulterados anunciados em marketplaces. Os órgãos avaliaram a formalização de uma cooperação técnica para organizar ações coordenadas de fiscalização e proteção do consumidor.
Em outra frente, a Anvisa determinou nesta semana a proibição e o recolhimento de suplementos específicos que apresentaram irregularidades. Entre os motivos informados estão a presença de substâncias não declaradas, falta de regularização e problemas graves de fabricação e controle de qualidade. As medidas são direcionadas aos produtos e lotes identificados nos atos oficiais; não autorizam generalizações sobre todo o mercado.
Como verificar antes de comprar
- Confirme quem vende e quem fabrica. Procure razão social, CNPJ, endereço e canais de atendimento verificáveis.
- Leia o rótulo. A expressão “SUPLEMENTO ALIMENTAR” deve aparecer de forma clara, acompanhada de ingredientes, modo de uso, advertências, lote, validade e origem.
- Localize o número de registro ou notificação, quando aplicável, e consulte o produto no portal oficial da Anvisa. A situação “Ativo” indica que ele está regularizado; “Inativo” significa que não está autorizado.
- Consulte também a relação de produtos irregulares divulgada pela Agência.
- Desconfie de anúncios que prometem resultados extraordinários, usam depoimentos como prova científica ou escondem dados do fabricante.
Cuidados com compras em marketplaces
O fato de um anúncio estar em uma grande plataforma não substitui a regularização sanitária nem a identificação do fornecedor. Compare os dados do anúncio com os do rótulo, evite pagamentos fora da plataforma e preserve a página da oferta. Preços muito abaixo do mercado, embalagem sem lacre e divergência entre o produto recebido e o anunciado exigem cautela.
O que guardar
- nota fiscal, comprovante de pagamento e identificação do vendedor;
- capturas de tela do anúncio, das promessas e das conversas;
- embalagem, rótulo, lacre, lote e data de validade;
- registro de atendimento da plataforma e do fornecedor;
- documentos de atendimento de saúde, se houver reação adversa.
Se houver suspeita ou reação inesperada
Interrompa o uso diante de sintomas inesperados e procure orientação de profissional de saúde; em situação grave, busque atendimento de urgência. Não descarte a embalagem. O consumidor pode comunicar a suspeita à Anvisa pelo Fala.BR, informando o produto, as alegações, o local da compra e anexando fotos ou capturas de tela. Também pode reclamar à plataforma, ao fornecedor, ao Consumidor.gov.br ou ao Procon, conforme o caso.
O olhar da Associação
Informação incompleta no rótulo e publicidade milagrosa não são detalhes: podem esconder risco à saúde e prática comercial enganosa. A melhor proteção é combinar consulta oficial, compra de fornecedor identificado e documentação completa. A fiscalização pública é indispensável, mas o consumidor não deve ser colocado na posição de descobrir sozinho a composição real de um produto.
